Os dados da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil sugerem que, para uma parcela relevante da categoria, o salário de jornalista não está sendo o bastante para bancar os custos de vida.
Ao todo, 362 respondentes declararam ter alguma renda além da principal, o equivalente a 40,4% da base. Entre eles, 250 afirmaram que, sem essa renda complementar, a renda principal seria apenas parcialmente suficiente para manter o padrão de vida atual.
O dado revela uma camada importante da precarização contemporânea em que a carreira jornalística, em muitos casos, precisa ser sustentada por fora dela mesma. A renda extra pode vir de freelas, consultorias, aulas, produção de conteúdo, projetos próprios ou atividades completamente fora do jornalismo. O ponto central é que o trabalho principal, sozinho, nem sempre fecha a conta.
O problema fica ainda mais evidente quando esse dado é lido junto ao retrato geral da remuneração. A pesquisa mostra que 30,1% dos respondentes com renda informada ganham até R$ 4.000, 41,1% estão até R$ 5.000 e 56,1% aparecem em faixas de até R$ 6.500.
Em uma base altamente escolarizada, experiente e concentrada em grandes centros urbanos, essa distribuição ajuda a explicar por que a renda complementar deixou de ser exceção e passou a fazer parte da estratégia de sobrevivência profissional.
O que acontece com a profissão quando tantos profissionais precisam dividir energia, tempo e atenção entre o trabalho principal e outras fontes de sustento? Quando a permanência no jornalismo depende de uma segunda renda, o problema não é individual, é estrutural.
Para entender os recortes por vínculo, região, cargo, área de atuação e condições de trabalho, baixe o e-book completo da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil.
