2 em cada 3 jornalistas brasileiros trabalham foram de redações

Redações seguem como referência, mas os dados mostram que a maior parte dos profissionais hoje tira sua renda principal de outras áreas

Durante muito tempo, falar sobre carreira jornalística significava olhar quase exclusivamente para as redações. Era ali que se concentravam os símbolos da profissão, suas rotinas, seus cargos e boa parte de sua identidade pública. Mas os dados da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil mostram que esse retrato ficou estreito.

O jornalismo continua tendo as redações como centro importante, mas já não se limita a elas. Na base principal da pesquisa, formada por 896 respondentes, a redação de veículo jornalístico aparece como a principal fonte de renda de 323 profissionais, ou 36% do total. É o maior grupo isolado, o que confirma que os veículos jornalísticos seguem ocupando um papel central.

Mas o outro lado do dado é ainda mais revelador: quase dois terços dos respondentes têm sua principal renda fora das redações tradicionais.

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Esse deslocamento aparece com força em áreas como agência de comunicação ou assessoria de imprensa, citada por 252 respondentes, 28,1% da base, e comunicação corporativa ou empresarial, com 103 respostas, 11,5%. Somadas, essas duas frentes reúnem 355 profissionais, o equivalente a 39,6% da pesquisa, mais do que o grupo que atua em redações.

Também há presença relevante em marketing de conteúdo, branded content e content marketing, com 68 respondentes, além de profissionais no setor público, consultoria, produção audiovisual, podcasts, ONGs, educação, pesquisa, redes sociais e outras atividades ligadas à produção e circulação de informação.

Isso não significa que esses profissionais tenham abandonado o jornalismo. Em muitos casos, o que migrou foi o ambiente de trabalho, não necessariamente o repertório profissional. Apuração, edição, clareza textual, hierarquização de informação, senso de pauta, entrevista, curadoria, narrativa, entendimento de audiência e capacidade de transformar temas complexos em conteúdo compreensível continuam sendo competências jornalísticas.

A diferença é que elas hoje são aplicadas em empresas, marcas, instituições, projetos independentes, produtos digitais e canais próprios.

O dado ajuda a reposicionar a conversa sobre o futuro da profissão. Discutir jornalismo hoje exige olhar para um ecossistema mais amplo do que aquele formado apenas por repórteres, editores e veículos de imprensa. As redações seguem fundamentais, mas já não dão conta de explicar sozinhas onde os jornalistas trabalham, como são contratados, quanto ganham e quais caminhos encontram para permanecer na área.

Para entender os recortes por vínculo, região, cargo, área de atuação e condições de trabalho, baixe o e-book completo da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil.