Na Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil, os dados mostram que profissionais brancos estão mais presentes nas faixas mais altas de remuneração: 23% dos respondentes brancos com renda informada ganham acima de R$ 10 mil, contra 15,7% dos pardos e 7,7% dos pretos.
O ponto central é que essa distância não pode ser lida apenas como uma diferença salarial isolada. No jornalismo, como em muitas outras áreas, ganhar mais costuma estar associado a ocupar posições de maior responsabilidade.
Entre os profissionais CLT da pesquisa, quem não lidera tem mediana salarial entre R$ 4.001 e R$ 5.000. Já quem lidera informalmente sobe para R$ 5.001 a R$ 6.500, enquanto líderes formais chegam a medianas mais altas, dependendo do tamanho da equipe liderada.
É aí que o recorte racial ajuda a explicar parte da desigualdade. Entre os brancos CLT, 44,2% exercem algum tipo de liderança, formal ou informal. Entre pessoas pretas ou pardas CLT, esse percentual cai para 35,3%. A diferença é ainda mais clara na liderança informal: 25,8% dos brancos CLT dizem liderar informalmente, contra 17,2% das pessoas pretas ou pardas CLT.
A liderança informal costuma ser uma etapa de reconhecimento dentro das equipes. Nem sempre vem acompanhada de cargo, salário ou poder formal, mas pode indicar quem é visto como referência, quem coordena processos na prática e quem está mais perto de uma promoção futura. Se profissionais pretos e pardos aparecem menos nesse espaço intermediário de liderança, eles também podem ter menos oportunidades de construir trajetória, visibilidade e autoridade dentro das organizações.
A pesquisa não permite afirmar uma causa única para a diferença salarial entre jornalistas brancos e negros. Mas ela mostra que a desigualdade está especialmente no acesso ao topo. Não se trata apenas de entrar no jornalismo, mas de conseguir permanecer, crescer, liderar e chegar às faixas mais altas de remuneração.
Quando jornalistas pretos aparecem menos entre os mais bem pagos e pessoas pretas e pardas aparecem menos no conjunto das lideranças CLT, o dado sugere que a progressão profissional também precisa entrar no centro da discussão sobre desigualdade racial no jornalismo.
O retrato completo está nos detalhes. Para entender os recortes por vínculo, região, cargo, área de atuação e condições de trabalho, baixe o e-book completo da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil.
