Mulheres têm lideranças não reconhecidas e salários menores no jornalismo

Falta de reconhecimento explora trabalho e afeta remuneração feminina

As mulheres são maioria entre os respondentes da Pesquisa Nacional sobre Salários e Condições de Trabalho dos Jornalistas no Brasil, mas essa presença não se traduz, na mesma proporção, em acesso às posições formais de liderança.

A desigualdade de gênero no jornalismo não aparece apenas no valor recebido ao fim do mês. Ela também se manifesta nas oportunidades de ocupar cargos reconhecidos, comandar equipes, assumir autoridade institucional e avançar para as faixas mais altas de remuneração.

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Entre profissionais CLT, a diferença fica mais clara quando a pesquisa separa liderança formal de liderança informal. Entre os homens com carteira assinada, 25,9% exercem liderança formal. Entre as mulheres CLT, esse percentual cai para 12,9%. O movimento se inverte na liderança informal: 27% das mulheres dizem liderar informalmente, contra 19,1% dos homens.

Elas aparecem proporcionalmente mais em posições nas quais orientam, coordenam, revisam, organizam fluxos ou influenciam colegas, mas sem necessariamente ter o cargo formal correspondente.

Essa diferença importa porque liderança formal e informal não têm o mesmo peso na progressão profissional. Na base CLT, quem não lidera tem mediana salarial na faixa de R$ 4.001 a R$ 5.000. Entre quem lidera informalmente, a mediana sobe para R$ 5.001 a R$ 6.500. Já entre líderes formais, o salto é maior: a mediana vai para R$ 8.001 a R$ 10.000 entre quem lidera até cinco pessoas, R$ 12.501 a R$ 15.000 entre quem lidera de seis a 15 pessoas e R$ 10.001 a R$ 12.500 entre quem lidera mais de 15 pessoas.

A presença nas faixas altas reforça essa associação. Entre CLTs que não lideram, 7,3% recebem acima de R$ 10.000. Entre os que lideram informalmente, o percentual sobe para 15,6%. Já entre líderes formais, o salto é mais expressivo: 32,6% entre quem lidera até cinco pessoas, 60% entre quem lidera de seis a 15 pessoas e 70% entre quem lidera mais de 15 pessoas.

Se os homens estão mais presentes na liderança formal e as mulheres aparecem mais na liderança informal, a diferença não está apenas no título do cargo. Ela pode afetar salário, reconhecimento, autoridade, trajetória e acesso às posições mais bem remuneradas.

A liderança informal ocupa uma zona ambígua no mercado jornalístico. Pode representar confiança, influência e responsabilidade real dentro das equipes, mas também pode significar trabalho de coordenação sem a contrapartida proporcional de cargo, remuneração e poder decisório.

Como as mulheres aparecem proporcionalmente mais nesse espaço, o dado sugere uma possível distância entre liderar na prática e ser reconhecida formalmente por essa liderança. o retrato completo está nos detalhes.

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